segunda-feira, 13 de junho de 2016

S O L I D Ã O

                  Proponho-me a tratar neste ensaio, de algo que afeta nossa vida no nosso dia a dia, quer admitamos, quer não. Sofremos suas consequências negativas ou positivas, queiramos ou não. O “Homo Sapiens” é um ser solitário por natureza! Ninguém pode negar esse fato!
                    Desde o berço até a sepultura, a solidão será nossa companheira inseparável. Ricos e pobres, crianças e idosos, homens e mulheres, pessoas cultas ou incultas, casadas e solteiras, todos passamos por momentos solitários, neste mundo vastíssimo e cheio de mistérios.
                    Há pessoas que detestam a solidão, utilizando de subterfúgios para afugentá-la. Outros aproveitam-na  para adquirirem maturidade emocional e espiritual. Os primeiros procuram evitar momentos solitários, os segundos muitas vezes procuram ficar sozinhos a fim de reorganizarem seus pensamentos. Solitude é o nome dessa solidão voluntária.
                    Psicólogos e outros cientistas que estudam a alma humana, chegam às mais divergentes conclusões, exibindo suas teorias sobre seus benefícios e malefícios. Milhares de livros e artigos já foram escritos em todo o mundo sobre o tema, sem contudo esgotá-lo!
                    Quando interessamo-nos por aprender a respeito da solidão, algo que está presente  em nosso quotidiano, podemos colher frutos preciosos, ao mesmo tempo que evitaremos transtornos psicológicos e mentais que interferem em nossa qualidade de vida.
                    Cada indivíduo em sua peregrinação por este planeta, é desafiado a tomar decisões importantíssimas, que irão repercutir não só em sua vida como também na de seus entes queridos e, até na vida de terceiros com os quais se relaciona em suas atividades sociais, profissionais, religiosas, políticas, etc...
                    O homem é um ser tridimensional, constituído de corpo, alma e espírito, portanto, tem potencial para conhecer a si mesmo, seu semelhante e, acima de tudo, seu Criador, dentro das limitações humanas, é claro! Aqui não há conhecimento perfeito.
                    Não podemos deixar de respirar, sonhar, sorrir, chorar, ter medo, tristeza, angústia, enfim, viver, pois Deus nos criou para a vida. É por isso que, por mais frágil e doente que esteja o homem ou mulher, seu desejo consiste em continuar vivendo, mesmo em precárias condições físicas e emocionais!
                    Desde a mais tenra idade somos ensinados a respeitar as normas que regulam a sociedade, representando papéis que nos foram entregues ao longo de nossa existência, a fim de sermos aceitos nos segmentos onde atuamos nos vários estágios da vida.
                    Tais ensinamentos que nos foram transmitidos por nossos pais, professores e amigos, são necessários, porém, fàcilmente aprendemos a camuflar a verdade, passando a utilizar máscaras que ocultam nosso verdadeiro eu. Tornamo-nos hipócritas!
                    Em nossos relacionamentos corriqueiros, nem sempre pautamos nosso comportamento de forma autêntica. Muitas vezes, tomamos decisões e damos respostas visando de imediato, nossos interesses, não o que é necessàriamente verdadeiro. Fomos treinados a imitar o que a maioria adotou como certo e errado. Somos atores no palco da vida!
                    Somos influenciáveis, o que nos leva a seguir a multidão, porém, quando nos vemos sozinhos, sentimo-nos livres para sermos nós mesmos, desprovidos das máscaras que utilizamos para representar, quando em presença de terceiros, para impressioná-los.
                    Ao utilizarmos nossos momentos de solidão para conhecermos melhor nosso eu, colheremos frutos preciosos no aprimoramento de nossa personalidade! E o mundo agradecerá, porém, o primeiro a beneficiar-se será cada um de nós individualmente!
                    Nem sempre temos consciência, mas  conversamos muito conosco mesmos, o que constitui algo saudável, pois assim agindo, estamos adquirindo o autoconhecimento, um dos preciosos bens que nosso Criador nos deu graciosamente para enriquecer nossa vida física, emocional e espiritual.
                    Convivemos conosco mesmos diuturnamente, portanto, se não atentarmos para os princípios que Deus estabeleceu visando o nosso bem-estar, o primeiro a ser prejudicado é nós mesmos, pois não podemos nos divorciar de nosso próprio eu, como acontece na vida dos casais que não mais conseguem relacionar-se como cônjuges. Por onde quer que formos levamos nosso eu!
                    Há pessoas que estão sempre externando seus sentimentos de forma espontânea, porém existem aqueles indivíduos que são por natureza, quietos. Em outras palavras, há pessoas extrovertidas e outras que são introvertidas, porém, a solidão não faz acepção de pessoas.
                     Todos, independentemente de temperamento, podem e devem desfrutar os benefícios que a solidão proporciona, quando somos sábios a ponto de programarmos momentos a sós, a fim de refletirmos sobre a tremenda responsabilidade que Deus nos confiou, ao dar a cada indivíduo,  a autoconsciência.
                     Ressaltei aspectos positivos da solidão, porém, há o outro lado da moeda, as patologias relacionadas a nossa vida psicológica e mental, transtornos que desafiam a medicina  até mesmo nos países que gastam quantias vultosas em pesquisas científicas.
                     Das doenças psicossomáticas, podemos destacar a depressão, que, segundo fontes especializadas, é a  que mais afeta o  homem contemporâneo, causando-lhe danos incalculáveis.
                     O homem do século XXI, diante da vulnerabilidade da vida, anseia a paz de espírito, que dinheiro, prazeres sensuais, conhecimentos naturais, fama, não podem proporcionar, pois há um vazio na alma humana, que sòmente Deus pode preencher!
                     Mas para conhecermos a Deus, temos que conhecer a nós mesmos! A medida que conheço melhor a Deus passo a conhecer melhor a mim mesmo e vice-versa!
                    Para finalizar, tenho que confessar que, se meus leitores não forem tocados por verdades que, deliberadamente inseri neste ensaio, não ficarei frustrado, pois fui muito edificado ao elaborá-lo, durante semanas seguidas! Foi um ótimo exercício intelectual e espiritual!
                                                                              

                                                                                Nelson Silva

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