Proponho-me a tratar neste ensaio, de algo que
afeta nossa vida no nosso dia a dia, quer admitamos, quer não. Sofremos suas
consequências negativas ou positivas, queiramos ou não. O “Homo Sapiens” é um
ser solitário por natureza! Ninguém pode negar esse fato!
Desde o berço até a
sepultura, a solidão será nossa companheira inseparável. Ricos e pobres, crianças
e idosos, homens e mulheres, pessoas cultas ou incultas, casadas e solteiras,
todos passamos por momentos solitários, neste mundo vastíssimo e cheio de
mistérios.
Há pessoas que detestam a
solidão, utilizando de subterfúgios para afugentá-la. Outros aproveitam-na para adquirirem maturidade emocional e
espiritual. Os primeiros procuram evitar momentos solitários, os segundos
muitas vezes procuram ficar sozinhos a fim de reorganizarem seus pensamentos. Solitude
é o nome dessa solidão voluntária.
Psicólogos e outros
cientistas que estudam a alma humana, chegam às mais divergentes conclusões,
exibindo suas teorias sobre seus benefícios e malefícios. Milhares de livros e
artigos já foram escritos em todo o mundo sobre o tema, sem contudo esgotá-lo!
Quando interessamo-nos por
aprender a respeito da solidão, algo que está presente em nosso quotidiano, podemos colher frutos
preciosos, ao mesmo tempo que evitaremos transtornos psicológicos e mentais que
interferem em nossa qualidade de vida.
Cada indivíduo em sua
peregrinação por este planeta, é desafiado a tomar decisões importantíssimas,
que irão repercutir não só em sua vida como também na de seus entes queridos e,
até na vida de terceiros com os quais se relaciona em suas atividades sociais,
profissionais, religiosas, políticas, etc...
O homem é um ser
tridimensional, constituído de corpo, alma e espírito, portanto, tem potencial
para conhecer a si mesmo, seu semelhante e, acima de tudo, seu Criador, dentro
das limitações humanas, é claro! Aqui não há conhecimento perfeito.
Não podemos deixar de
respirar, sonhar, sorrir, chorar, ter medo, tristeza, angústia, enfim, viver,
pois Deus nos criou para a vida. É por isso que, por mais frágil e doente que
esteja o homem ou mulher, seu desejo consiste em continuar vivendo, mesmo em
precárias condições físicas e emocionais!
Desde a mais tenra idade
somos ensinados a respeitar as normas que regulam a sociedade, representando
papéis que nos foram entregues ao longo de nossa existência, a fim de sermos
aceitos nos segmentos onde atuamos nos vários estágios da vida.
Tais ensinamentos que nos
foram transmitidos por nossos pais, professores e amigos, são necessários,
porém, fàcilmente aprendemos a camuflar a verdade, passando a utilizar máscaras
que ocultam nosso verdadeiro eu. Tornamo-nos hipócritas!
Em nossos relacionamentos
corriqueiros, nem sempre pautamos nosso comportamento de forma autêntica.
Muitas vezes, tomamos decisões e damos respostas visando de imediato, nossos
interesses, não o que é necessàriamente verdadeiro. Fomos treinados a imitar o
que a maioria adotou como certo e errado. Somos atores no palco da vida!
Somos influenciáveis, o que
nos leva a seguir a multidão, porém, quando nos vemos sozinhos, sentimo-nos
livres para sermos nós mesmos, desprovidos das máscaras que utilizamos para
representar, quando em presença de terceiros, para impressioná-los.
Ao utilizarmos nossos momentos de
solidão para conhecermos melhor nosso eu, colheremos frutos preciosos no
aprimoramento de nossa personalidade! E o mundo agradecerá, porém, o primeiro a
beneficiar-se será cada um de nós individualmente!
Nem sempre temos
consciência, mas conversamos muito
conosco mesmos, o que constitui algo saudável, pois assim agindo, estamos adquirindo
o autoconhecimento, um dos preciosos bens que nosso Criador nos deu
graciosamente para enriquecer nossa vida física, emocional e espiritual.
Convivemos conosco mesmos
diuturnamente, portanto, se não atentarmos para os princípios que Deus
estabeleceu visando o nosso bem-estar, o primeiro a ser prejudicado é nós mesmos,
pois não podemos nos divorciar de nosso próprio eu, como acontece na vida dos
casais que não mais conseguem relacionar-se como cônjuges. Por onde quer que
formos levamos nosso eu!
Há pessoas que estão sempre
externando seus sentimentos de forma espontânea, porém existem aqueles
indivíduos que são por natureza, quietos. Em outras palavras, há pessoas
extrovertidas e outras que são introvertidas, porém, a solidão não faz acepção
de pessoas.
Todos, independentemente
de temperamento, podem e devem desfrutar os benefícios que a solidão
proporciona, quando somos sábios a ponto de programarmos momentos a sós, a fim
de refletirmos sobre a tremenda responsabilidade que Deus nos confiou, ao dar a
cada indivíduo, a autoconsciência.
Ressaltei aspectos
positivos da solidão, porém, há o outro lado da moeda, as patologias
relacionadas a nossa vida psicológica e mental, transtornos que desafiam a medicina até mesmo nos países que gastam quantias
vultosas em pesquisas científicas.
Das doenças
psicossomáticas, podemos destacar a depressão, que, segundo fontes
especializadas, é a que mais afeta
o homem contemporâneo, causando-lhe
danos incalculáveis.
O homem do século XXI,
diante da vulnerabilidade da vida, anseia a paz de espírito, que dinheiro,
prazeres sensuais, conhecimentos naturais, fama, não podem proporcionar, pois
há um vazio na alma humana, que sòmente Deus pode preencher!
Mas para conhecermos a
Deus, temos que conhecer a nós mesmos! A medida que conheço melhor a Deus passo
a conhecer melhor a mim mesmo e vice-versa!
Para finalizar, tenho que confessar que, se
meus leitores não forem tocados por verdades que, deliberadamente inseri neste
ensaio, não ficarei frustrado, pois fui muito edificado ao elaborá-lo, durante
semanas seguidas! Foi um ótimo exercício intelectual e espiritual!
Nelson Silva
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